Ainda falta trabalho. Conclusão inevitável a que chegamos nos últimos ensaios. E muito trabalho! Para atualizá-los dos últimos acontecimentos, basta contar que voltamos a ensaiar as cenas iniciais, como fazíamos no começo e...surpresa... elas estão parando e parando e parando. O motivo esbarra, ainda, na falta do texto, no clown pessoal que muitas vezes some e, como consequência de tudo isto, falta ritmo ao espetáculo.
Não sabemos quando vamos estrear. Espero que em breve. Alguns arriscam 2011. Hehe. Brincadeira. Mas não há previsão. Minha opinião? Não tardará. Confio no trabalho dos palhaços e penso que, ultrapassadas algumas barreiras como a falta de tempo de alguns para estudar o texto, o espetáculo vai ficar pronto, mais cedo que alguns esperam.
O Joaquim tem descoberto novas marcações. O diretor Marton Maués tem me dado uns toques interessantes, para me posicionar melhor na cena. Adoro quando param uma cena em que estou, para aprimorá-la. O silêncio do diretor me deixa na maior dúvida. Gira na minha cabeça mil abobrinhas: "Está saindo direito?? Ande, fale alguma coisa!". Coisas de aprendiz...
Quero destacar, ainda, alguns personagens tão interessantes quanto inusitados. Trata-se dos loucos, que andam aparecendo cada vez mais para assistir nosso ensaio. Não só assistem, como interferem. Já não sei se são loucos ou uma platéia mais corajosa e desinibida. O fato é que causam certo temor, ao mesmo tempo em que às vezes compõem a comicidade do espetáculo. Ontem, um deles queria usar as baquetas do instrumento. Convenci-lhe a devolver as baquetas, sentando-se ao meu lado, em cena. O ar maltrapilho combinava com Mestre Joaquim. Aí, não sei se acidentalmente, ele quase aplicou-me uma vassourada no nariz. Fiquei com certo medo, só consegui responder, meio áspero: "Violência não!". Rsrs. Tiraram-no de lá e eu até levei uma bronca por tê-lo deixado ficar. Logo em seguida, a guarda municipal, atendendo à velha ordem do "vigiar e punir", apareceu na área, cercando o elemento. O louco saiu correndo, gritando: "Deixa pra lá, deixa pra lá!". E não sei viu mais aquele sujeito magro, negro, maltrapilho e tachado de louco, que estivera atrapalhando o ensaio, com falas fora de hora e, muitas vezes indecorosas. Uma figura...
Rua é assim mesmo... Uma loucura!



Telma Monteiro
Ter 01 Dez 2009 01:04