Home Data de criação : 09/09/27 Última atualização : 11/10/17 11:40 / 21 Artigos publicados

Olha o palhaço no meio da rua  (O palhaço e a rua) escrito em quarta 12 maio 2010 22:19

Blog de bilazinhadamamae :Bilazinha da Mamãe na era digital!, Olha o palhaço no meio da rua

Queridos visitantes do meu blog,

Quero convidá-los a conhecer um espaço novo, ainda em construção, mas já em condições de recebê-los. Um novo blog, criado para comunicar meu processo de pesquisa de especialização, acerca da relação de minha palhaça com a rua. Vou ficar mais assídua por lá que por aqui, então recomendo que visitem:

www.senhoritaflores.wordpress.com

Os comentários de qualquer tipo são muito bem vindos e fazem parte da pesquisa. Portanto, estejam a vontade. Minhas palhaçadas continuam por lá. Mas este espaço continua, sempre, porque não posso abandoná-lo, assim, depois de tantas alegrias e aflições juntos! rsrs

Beijoss

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Palhaçadas eternas  (Coisas minhas) escrito em terça 04 maio 2010 21:39

Blog de bilazinhadamamae :Bilazinha da Mamãe na era digital!, Palhaçadas eternas

Com o fim da temporada do Mão de Vaca, bons tempos de colher os frutos de um ano de trabalho, o blog ficou meio nebuloso para mim. O que dizer do processo? Prazeroso, surpreendente, enriquecedor. Apaixonante, em vários sentidos.

Mas veio a pausa, a angustiante pausa que segue ao fim do espetáculo. O momento de tirar a maquiagem, as roupas estranhas e, o pior, o nariz. Bom seria olhar o mundo através do nariz de palhaço todos os dias, se dar ao luxo de ser contravertido, ingênuo, sincero, cômico, ridículo sem medo... O mundo precisa disto, eu preciso.

Não dá, infelizmente. Existe uma vida prática, é preciso voltar à realidade, às vezes dura, às vezes esperançosa, com certeza menos interessante que a do palhaço.

Foi o fim de um ano vivido intensamente no meio dos Palhaços Trovadores, muito aprendizado, tropeções, riso e, principalmente, palhaçadas. Fico meio sem rumo, meio sem blog, sem os dias de ensaio na praça, o frio da barriga das apresentações, o sentimento de fazer parte. Parte de um mundo que quero para sempre, do palhaço, do teatro popular.

Bilazinha da Mamãe continua. É um bem que faço a mim mesma. E ao mundo. Como disse Fellini, os pais deveriam incentivar os filhos a serem palhaços, ao invés de médicos, engenheiros, empresários, sei lá o que.

Aprendi a lição, vou mantê-la. Quero ser palhaça, ver palhaços, ser amiga de palhaços, enquanto puder.

 

 

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Olhar de palhaço, olhares sobre o palhaço  (O palhaço e a rua) escrito em quinta 11 março 2010 12:04

Em um de meus passeios pela net, encontrei uma jóia postada em um blog. Versos interessantes, que, para mim, refletem o olhar de alguém apaixonado pelo olhar do palhaço. Dois olhares, assim: o de fora, do observador; e o do lado daqui, que começa a tatear pela linguagem. A autora chama-se Lili e publicou a jóia no seguinte endereço, que merece ser visitado: http://lilianinascimento.blogspot.com/

Tomei a liberdade de reproduzir os versos aqui, para contemplação:

Palhaço
Sobe, desce.
Dá uma cambalhota, rebola.
Cai ao chão e dá um trambolhão.
Palhaço
Sempre com um sorriso.
Pronto a dar a mão.
Alerta, se alguém está triste.
Palhaço
Faz o salto do trampolim.
Pula como um canguru.
Parece feito de borracha.
Rebola, salta, sorri
Mesmo quando está triste
Não deixa de sorrir
As suas lágrimas não aparecem
Ficam lá dentro
Trancadas
Estranguladas.
Ah! Palhaço ser o que és não é fácil.
Mas é bom saber que existe
Cara alegre, quando se está triste.

Em tempo, gostaria de informar que o órgão público que negou-se a autorizar a apresentação dos Palhaços Trovadores na praça voltou atrás na decisão e emitiu parecer positivo. O motivo não sabemos, talvez a voz do discurso na praça tenha sido ouvida. É, Lili, ser palhaço não é fácil...

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Rua  (O palhaço e a rua) escrito em terça 09 março 2010 20:30

Blog de bilazinhadamamae :Bilazinha da Mamãe na era digital!, Rua

Circulamos pelo espaço urbano. Consumimos seus produtos, fitamos os olhares que cruzam os nossos, obedecemos suas leis, nos preocupamos com a violência que o invade. Os sentidos cotidianos da rua nos atravessam, sem que nos demos conta deles. O uso do espaço urbano faz parte de um sistema tão amplo, quanto controverso, servindo, muitas vezes, a uma ordem de autoridade e alienação para a qual pouco olhamos ou não percebemos. No entanto, inevitavelmente somos afetados por ela.

Escrevo estas coisas como alerta, ao final de uma maravilhosa temporada de O Mão de Vaca, em plena rua, no picadeiro da Praça da República. Bela praça, em Belém do Pará. Guarda tanta história, marcas dos tempos áureos da borracha, da imponente figura do Teatro da Paz, das grandes óperas, do monumento à República, bem no centro. Lá encontramos também o abrigo de mazelas sociais, cidadãos que não consomem e, portanto, passam invisíveis ao sistema. Hoje a praça não reúne mais senhoritas com vestidos importados da França. Há famílias, estudantes, transeuntes e muitas, muitas pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Imagino que alguns no meio da multidão que nos assistia na praça jamais havia vislumbrado um espetáculo teatral, nem imagina entrar no Teatro da Paz algum dia. O acesso a cultura é, ainda, um problema. E os artistas de rua são um entrave à ordem estabelecida no espaço urbano. Sem mais nem menos, subvertem a ordem, mudam a paisagem de todo dia e fazem arte no cenário da cidade, que parece, mas não é imutável.

Penso que isto assusta e incomoda. Talvez este seja o problema, a motivação velada que alguns órgãos públicos sustentam ao proibir espetáculos teatrais em espaços públicos, como parece acontecer em Belém. O órgão municipal responsável por emitir autorização para que nosso Mão de Vaca fosse encenado na Praça da República não só negou o documento, como apresentou a preocupante justificativa de que há planos para NÃO MAIS PERMITIR QUALQUER APRESENTAÇÃO DE TEATRO NO LOCAL.

Conscientes do absurdo que isto representa e dispostos a realizar atos de cultura acessíveis a todos, os Palhaços Trovadores seguiram sua temporada, sujeitos aos desmandos de nossas autoridades, que, ainda bem, mantiveram-se em seu pedestal. Nos reunimos no último sábado, ocasião da última apresentação no local, pouco antes do espetáculo começar, e contamos à praça lotada sobre o que acontecia. A indignação do público nos encheu de energia e o último dia de espetáculo foi inesquecível, cheio de energia, que emanava de nós e das pessoas ali, compartilhando o prazer do estado de arte.

Nos orgulhamos do trabalho concluído. Mais ainda, temos consciência de que intervenções artísticas no espaço urbano são instrumentos de ressignificação do espaço, desestabilizando a lógica do seu uso. Resistimos e junto conosco uma praça lotada, que deliciava-se com o ridículo em exposição do palhaço e se indignava com a tentativa de sustentar o imaginário da praça como espaço de exclusão. Fica o alerta e a lembrança de dias inesquecíveis.

 

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Doce Fevereiro  (Coisas minhas) escrito em quinta 04 março 2010 08:14

Blog de bilazinhadamamae :Bilazinha da Mamãe na era digital!, Doce Fevereiro

Não sei se guardo as letras de música

Se deixo borrares minha maquiagem

Se aceito teus telefonemas, promessas de cantoria

Ou o teu calor, que se soma ao meu

Se me junto a tua militância

Se te batizo um palhaço

Se leio teus escritos sérios

É que também tenho os meus

E sei que passeias por lá

Como sei que invades meu celular

Invades minha vida

Me atacas em praça pública

E eu vou deixando

E fico ainda mais feliz ao teu lado

Divido minha comida

Provo tua bebida

Te ofereço o último pedaço e meu chocolate

Tento te ensinar a dançar

Tu continuas a me procurar

E ignoras quarta feira de cinzas

Que eu nem vi passar

Sei apenas que não fomos com ela, tu e eu

Até quando quisermos

Até quando teu olho brilhar

Enquanto Chico tocar

Enquanto Vinícius me seduzir

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