Home Data de criação : 09/09/28 Última atualização : 10/02/01 16:18 / 13 Artigos publicados

Quando fica pronto um espetáculo?  (Mão de Vaca) escrito em segunda 01 fevereiro 2010 16:18

Um espetáculo está pronto quando os atores sabem o texto sem erros, descobrem as inflexões corretas, movem-se em cena sem deixar “buracos” e tudo acontece na mais perfeita harmonia. Certo? Errado. Como pude acreditar nisso? Ontem encontrei uma excelente resposta, melhor que essa, tão simplista. A explicação de outro ator abriu meus olhos para compreender melhor, inclusive, o processo de O Mão de Vaca.

Foi no programa “Quarta Parede”, exibido no canal Brasil, em rede fechada. Era um documentário sobre o processo de montagem de um espetáculo teatral, desde a preparação, até as apresentações. Mostraram todo o processo e os comentários dos atores. Um deles (era global, mas não lembro o nome...que gafe a minha!) disse o seguinte: “Um espetáculo não está pronto na estréia. A gente estréia quando está estético, mas não está pronto. A cada apresentação ele vai mudando, aí é que vai se construindo. Na verdade, ele vai estar sempre em construção”.

Bingo! Embora não lembre seu nome (sou péssima com nomes), não vou esquecer seu comentário. De fato, achar que um espetáculo está pronto é desprezar os olhares dos outros, a relação com os espaços, o trabalho do ator, o fino faro do diretor. Esse movimento, essa troca caracteriza todo o fazer artístico. Se o espetáculo for duro, engessado, terminado, deixa de ter sentido. Por que não lançar-lhe um novo olhar a cada dia?

Espetáculos não terminam, eles estão no meio, sempre múltiplos (ando lendo Deleuze...). E isto não é diferente com O Mão de Vaca. Exigir que esteja acabado é simplesmente impossível. No último sábado tivemos um ensaio bastante produtivo, muitos acertos, novas marcações, movimentos. Estamos no meio, nos preparando para estrear. Somente para estrear. E estamos quase lá. A mudança na música da personagem Mariana, que agora será cantada por ela e por Frosina, a alcoviteira (Frosina me lembra muito uma amiga palhaça...rsrsrs), ficou lindíssima. Os outros palhaços fazem o coro, o que gosto muito.

Minha ansiedade diminui quando me dou conta das palavras do ator. Esperava estar com tudo terminado, mas, ainda bem, isto nunca vai acontecer. Para o palhaço, então, atento aos estímulos do ambiente, ao jogo com o público, ao acaso da sincera improvisação, cada dia é um dia e suas ações sempre passíveis de mudança. Que venha a estréia! Pode vir quente, que estamos fervendo...

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O tempo urge  (Coisas minhas) escrito em quarta 27 janeiro 2010 03:24

E vem sem pena. Falta pouco tempo para a estréia prevista, pouco tempo para a viagem do Marton. Há pouco tempo de ensaio, mesmo quando ele parece longo. Eu mesma vivo no corre corre, com tempo reduzido o tempo todo. Velocidade absurda!

Preciso de paciência. Quero ver tudo pronto, o texto definitivamente cortado, o ritmo harmonioso e nós, os atores, obtendo todo o resultado de nosso trabalho. Mas as coisas não caminham assim.

Ensaio passado fizemos o famoso "corridão": passamos o espetáculo inteiro, sem parar, improvisando os erros. Ao total, uma hora e vinte e quatro minutos, se não me engano. Achamos ótimo. Eu, por exemplo, achei que duraria umas duas horas no mínimo. E, como ainda ficaram alguns buracos, Marton acredita que ainda podemos chegar a uma hora e quinze minutos. Eu acho que até menos, se cortarmos mais texto excessivo e mantivermos o ritmo.

A velocidade nos assustou. Percebi no grupo (e Vinícius até chegou a comentar comigo) o que eu sentia: foi estranhíssimo ensaiar assim. É tudo veloz, sem pausas entre as cenas, sem interferências do diretor, sem "vou voltar porque errei o texto". O espetáculo é assim, precisamos nos acostumar. Foi então que vi quanto trabalho ainda temos pela frente, mesmo quando aparentemente já temos algo semi pronto, por assim dizer. E, como disse alguém que nos assistia na praça, em um dos ensaios públicos, o ritmo da rua é veloz. Se vamos estrear lá, é melhor exigir mais de nós.

Hoje, novos cortes no texto, mais limpeza de cenas. Concordei com tudo, mas estive agoniada, assombrada pelo tempo. Não passamos o espetáculo todo.

Para ser sincera, tem uma coisa principal que me incomoda profundamente. Não gostaria que o Marton viajasse. Pensar que ele vai ficar fora, ainda mais tanto tempo, me angustia. O grupo vai sentir muito a falta dele, pelo simples fato de que aquilo tudo é a cara dele. Então, a cada ensaio, penso que o tempo se abrevia. Precisamos MESMO estrear na data prevista, se não ele vai embora antes. Eu não quero que ele perca as apresentações, na verdade acho inconcebível estar nesse período sem ele.

Ah, o tempo... Gostaria que andasse mais devagar, que às vezes voltasse atrás e que acelerasse apenas nos momentos certos. Eu lhe avisaria quando fazê-lo. Mas ele não aceita.

Hoje não há fotos do Mão de Vaca ou de palhaços. Mas de uma amiga, Luana Moura, na pele de um personagem absurdo, maníaco pelo tempo. Eu era aquela lá atrás, com mania de limpeza. Atualmente, pareço mais com Luana...

 

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Estréia à vista!  (Mão de Vaca) escrito em quinta 21 janeiro 2010 04:33

É com muita alegria e carga de responsabilidade que informo a todos a data prevista para estréia de O Mão de Vaca. Sim, não esperaremos até 2012! Temos fé. E trabalho pela frente. Estão todos convidados para o dia 25 de fevereiro (2010 mesmo!!!!), no anfiteatro da Pça. da República. A idéia é ficar de quinta a sábado. Até agora, há dois finais de semana previstos, o que pode ainda ser alterado, já que é apenas uma previsão.

Nos últimos dias temos ensaiado em sala fechada, na Escola de Teatro e Dança da UFPA. Embora com saudades da rua, tenho gostado muito do resultado. Como nos encontramos todos os dias, as marcações estão ficando na memória, ao invés de se dissiparem e as cenas parecem se resolver melhor.

Percebo o grupo mais a vontade. Sem os olhares externos, nossos erros são só nossos. Os gritos, puxões de orelha, risadas e brincadeiras para descontrair também. Não sei se é impressão, mas parecemos mais soltos.

Hoje, passamos a bendita cena final, que, por sinal, está longa demais. Andei pensando, acho que o maior problema está nas falas de Valério, Sr. Anselmo e Mariana. Principalmente Valério. O texto ainda deve ser cortado. Além disso, a história ainda fica rodando muito em torno do dinheiro roubado, antes que a descoberta da identidade do Sr. Anselmo aconteça. Vou reler e comentar aqui algumas idéias de corte neste sentido...

Enquanto isso, registro minha empolgação com a estréia marcada. Ah, expectativa!!

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Sobre uma palhaça no carnaval  (Palhaço) escrito em segunda 18 janeiro 2010 15:04

Ilusão, devaneio, nariz vermelho

Os meus perigos inventados

Eu criei para me fazer sorrir

Enquanto sorria, o mundo ficou belo

As pessoas se amavam

Eles me observavam

Eu fazia parte

Tão perigoso acreditar

Tão prazeroso viver

Que seja, então, o dia mais leve

O olhar mais meu

A feiúra inexistente

O sorriso mais fácil

Para que deixar de me agarrar à ilusão

Quarta feira de cinzas ela me deixa

E o que resta é a velocidade e a lentidão de todos o dias

Coloridos por um sorriso fora de hora

Que se lembra do carnaval.

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Dupla jornada  escrito em quinta 14 janeiro 2010 04:30

Dia trabalhoso e de muito prazer. Bilazinha esteve pelas ruas, na entrada da Escola de Teatro e Dança da UFPA, performando com sua roupa nova, no resultado da disciplina Metodologia de Pesquisa em Arte, ministrada na Especialização em Estudos Contemporâneos do Corpo, da qual faço parte.

Amei a experiência. Sozinha, na rua, o público de cara pra mim. Foi simplesmente revigorante. Ainda maquiada e atrasada, corri para o ensaio do Mão de Vaca depois. Hoje, não ensaiei nenhuma cena em que entro. Estive apenas ali, no coro, reagindo a aprendendo com os outros. Aproveitei a maquiagem original da palhaça para testar algo para o Joaquim, por sugestão do marton. Com leves adaptações, o resultado me agradou bastante. Quando olhei a foto, que compartilho com vocês, finalmente vi Joaquim. Eu ainda não sabia como ele era, com que se parecia. Pois hoje o conheci. E me é familiar!

A dupla jornada de hoje me fez bem. Gostaria de ter entrado em cena. Sentia-me Bilazinha, porque já havia estado palhaça boa parte da tarde. Fiquei curiosa para saber se me ajudaria na cena.

O fato é que o clown é paixão na minha vida. Ser palhaça me alimenta. Dói demais, mas me deixa assim... Abestalhada, como dizia minha avó.

  

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